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AS ATIVIDADES DA ENFERMAGEM
NA UNIDADE DE EMERGÊNCIA

 

Marco Paulo Valeriano de Brito

A Associação Americana de Enfermagem (ANA) estabeleceu os "Padrões da Prática de Enfermagem em Emergência" em 1983, tendo como referência padrões definidos classificando os enfermeiros de emergência em três níveis de competência. O primeiro nível requer competência mínima para o enfermeiro prestar atendimento ao paciente traumatizado; no segundo nível este profissional necessita formação específica em enfermagem de emergência e no último nível o enfermeiro deve ser especialista em área bem delimitada e atuar no âmbito pré e intra-hospitalar.

A equipe de enfermagem do setor de emergência do Hospital é composta por:

Enfermeiros clínico-cirúrgicos emergencistas;
Enfermeiros de protocolo (acolhimento – pré-atendimento);
Enfermeiros coordenadores;
Técnicos de enfermagem e Auxiliares de Enfermagem.

Em relação às atividades assistenciais exercidas pelo enfermeiro, salientamos abaixo as principais:

- elabora, implementa e supervisiona, em 1conjunto com a equipe médica e multidisciplinar, o Protocolo de Atenção em Emergências (PAE) nas bases do acolhimento, pré-atendimento, regulação dos fluxos e humanização do cuidado;
- presta o cuidado ao paciente juntamente com o médico;
- prepara e ministra medicamentos;
- viabiliza a execução de exames complementares necessários à diagnose;
- instala sondas nasogástricas, nasoenterais e vesicais em pacientes;
- realiza troca de traqueotomia e punção venosa com cateter;
- efetua curativos de maior complexidade;
- preparam instrumentos para intubação, aspiração, monitoramento cardíaco e desfibrilação, auxiliando a equipe médica na execução dos procedimentos diversos;
- realiza o controle dos sinais vitais;
- executa a consulta de enfermagem, diagnóstico, plano de cuidados, terapêutica em enfermagem e evolução dos pacientes registrando no prontuário;
- administra, coordena, qualifica e supervisionam todo o cuidado ao paciente, o serviço de enfermagem em emergência e a equipe de enfermagem sob sua gerência.

Dentre as atividades administrativas efetuadas pelo enfermeiro, destacam-se:

- realiza a estatística dos atendimentos ocorridos na unidade;
- lidera a equipe de enfermagem no atendimento dos pacientes críticos e não críticos;
- coordena as atividades do pessoal de recepção, hotelaria, limpeza e portaria;
- soluciona problemas decorrentes com o atendimento médico-ambulatorial;
- aloca pessoal e recursos materiais necessários;
- realiza a escala diária e mensal da equipe de enfermagem;
- controla estoque de material, insumos e medicamentos;
- verifica a necessidade de manutenção dos equipamentos do setor.

Em relação às atividades de ensino exercidas pelo enfermeiro, ressaltamos que este profissional na sua prática diária orienta a equipe de enfermagem na realização da pré-consulta e promove treinamento em serviço sobre os protocolos de atendimento e novos procedimentos, educação continuada e permanente inerente às atividades de enfermagem em emergências.

No Hospital, existe um setor específico para o desenvolvimento de programas de educação continuada, no qual atua um enfermeiro responsável em implementar programas, cujos propósitos consistem em sanar dificuldades evidenciadas na prática da enfermagem e promover o aprendizado de novos conhecimentos sobre os avanços ocorridos na área da saúde.

A seguir, as principais atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem:
- realiza a pré-consulta, verifica os sinais vitais e anota a queixa atual do paciente;
- acomoda o paciente na sala de urgência/emergência, e instala o monitor cardíaco;
- instala soroterapia, sonda vesical e sonda nasogástrica;
- administra medicamentos;
- prepara o material e circula a sala de procedimento de sutura;
- prepara o material de punção subclávia e/ou dissecção de veia e auxilia a equipe médica;
- encaminha o paciente ao RX e exames complementares;
- realiza a evolução e a anotação dos pacientes em observação.

O papel do enfermeiro na unidade de emergência consiste em obter a história do paciente, fazer exame físico, executar tratamento, aconselhando e ensinando a manutenção da saúde e orientando os enfermos para uma continuidade do tratamento e medidas vitais". O enfermeiro desta unidade é responsável pela coordenação da equipe de enfermagem e é uma parte vital e integrante da equipe de emergência.

“Os enfermeiros das unidades de emergência aliam a fundamentação teórico-científica (imprescindível) à capacidade de liderança, o trabalho, o discernimento, a iniciativa, a habilidade de ensino, a maturidade e a estabilidade emocional”. Por isso, a constante atualização desses profissionais, é necessária pois, desenvolvem com a equipe médica e de enfermagem habilidades para que possam atuar em situações inesperadas de forma objetiva e sincrônica na qual estão inseridos.

O enfermeiro que atua nessa unidade necessita ter "conhecimento científico, prático e técnico, afim de que possa tomar decisões rápidas e concretas, transmitindo segurança a toda equipe e principalmente diminuindo os riscos que ameaçam a vida do paciente".

Frente às características específicas da unidade de emergência, o trabalho em equipe se torna crucial. O enfermeiro "deve ser uma pessoa tranqüila, ágil, de raciocínio rápido, de forma a se adaptar, de imediato, a cada situação que se apresente à sua frente". Este profissional deve estar preparado para o enfrentamento de intercorrências emergentes necessitando para isso conhecimento científico e competência clínica (experiência).

Ao reportar o conjunto das atividades desenvolvidas pelos enfermeiros de emergência do Hospital em que atuamos, podemos afirmar que apesar destes profissionais estarem envolvidos na prestação de cuidados diretos ao paciente, em muitos momentos existe uma sobrecarga das atividades administrativas em detrimento das atividades assistenciais e de ensino.

Esta realidade vivenciada pelos enfermeiros vem ao encontro da literatura quando analisa a função administrativa do enfermeiro no contexto hospitalar e aborda que este profissional "tem se limitado a solucionar problemas de outros profissionais e a atender as expectativas da instituição hospitalar, relegando a plano secundário a concretização dos objetivos do seu próprio serviço".

Entendo a necessidade dos enfermeiros repensarem a sua prática profissional pois, "quando o enfermeiro assume sua função primordial de coordenador da assistência de enfermagem, implementando-a por meio de esquema de planejamento, está garantindo o desenvolvimento de suas atividades básicas (administrativas, assistenciais e de ensino) e promovendo, conseqüentemente, a melhor organização do trabalho da equipe, que passa a direcionar seus esforços em busca de um objetivo comum que é o de prestar assistência de qualidade, atendendo as reais necessidades apresentadas pelos pacientes sob seus cuidados".

Frente ao exposto, acredito que o exercício de uma liderança eficaz pelo enfermeiro de unidade de emergência seja um caminho para a implantação de mudanças do quadro assistencial caótico em que se encontram as emergências abertas. "A rotina do trabalho em pronto socorro coloca, muitas vezes, os enfermeiros em situação que exige, além do domínio do conhecimento, a rapidez de raciocínio no sentido de tomar decisões pertinentes ao diagnóstico, ora com um único paciente, ora com um grande número de vítimas". Ao meu juízo penso que nesse cenário, a importância da liderança fica clara.

Na literatura brasileira, alguns estudos abordam que a liderança é fundamental para o trabalho diário do enfermeiro, mas para o seu exercício eficaz este profissional precisa buscar meios que viabilizem o desenvolvimento da habilidade de liderar; dentre estes destacamos o aprendizado baseado na experiência profissional e na educação formal.

O primeiro passo para o enfermeiro efetivamente exercer uma liderança eficaz, consiste na busca de estratégias que possibilitem esse profissional conhecerem a si mesmo e para a eficácia do processo de liderar o enfermeiro necessita conhecer as necessidades e expectativas pessoais e profissionais dos membros da equipe de enfermagem.

Realizando um estudo para identificar as características desejáveis de um líder eficaz que atua em unidade de emergência, dentre as características apontadas pelos atores participantes do estudo, a habilidade de comunicação, conhecimento na área clínica, profissionalismo e habilidade em incentivar sua equipe de trabalho foram salientadas como as mais importantes e necessárias aos enfermeiros.

Na unidade de emergência, em que realizamos o estudo, as atividades de enfermagem são organizadas de acordo com a modalidade de Assistência Trabalho em Equipe (ATE). Assim desenvolvemos uma pesquisa sobre a liderança do enfermeiro que atua nesse setor, tendo como referencial teórico a Liderança Situacional (modelo de liderança proposto por Hersey e Blanchard). Os resultados evidenciaram que os enfermeiros da unidade de emergência exercem e deveriam adotar com o pessoal técnico e auxiliar de enfermagem estilos de liderança participativos em modelos de gerenciamento colegiado.

Os resultados de análise da liderança do enfermeiro em unidades de internação e de atendimento ao trauma demonstraram que houve predominância das características de liderança instrumental dos enfermeiros, ou seja, esses profissionais estavam orientados para o alcance dos objetivos, definição de funções e responsabilidade, criação de sistemas de controle e recompensa do trabalho desenvolvido na unidade.

Ao reportar os estudos referidos podemos afirmar que para o enfermeiro de unidade de emergência exercer a liderança de forma eficaz esse profissional precisa buscar meios para realizar o gerenciamento da assistência de enfermagem visualizando as reais necessidades do paciente, conciliando os objetivos organizacionais com os objetivos da equipe de enfermagem.


Em síntese, o enfermeiro necessita compreender o processo de liderar e desenvolver as habilidades necessárias; dentre elas, salientamos a comunicação, o relacionamento interpessoal, tomada de decisão e competência clínica, bem como aplicá-las na sua praxe profissional.

Entendo que investimentos dos órgãos formadores e das instituições de saúde, na formação do enfermeiro-líder, são cruciais para torná-lo um agente de mudanças com o propósito de fornecer estratégias que possibilitem a melhoria da instituição, da equipe de enfermagem e principalmente da assistência prestada ao paciente/cliente.

MARCO PAULO VALERIANO DE BRITO
Enfermeiro-sanitarista, Pós-graduado em gestão em saúde pela ENSP/FIOCRUZ Especialista em Administração Pública pelo ISAPE/FESP-RJ, Gerente de Projeto – Assessor-técnico do DGH/SAS/MS-RJ,Diretor-Adjunto Interino do HGB – Rio de Janeiro

 


 

 

 

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