Adenomatose Hepática e Transplante de Fígado
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ALEXANDRE CERQUEIRA, JOSÉ
MANOEL MARTINHO, MARCELO ENNE, LÚCIO PACHECO, ELIZABETH BALBI, JOÃO LUIZ
PEREIRA e ROBERTO JAMIL
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Fundamento: Adenomatose hepática inicialmente descrita em 1985 por Flejou et cols com 13 casos. Definida quando existe mais de 10 nódulos em parênquima normal, história natural pouco conhecida, não parecendo estar associado a uso de anticoncepcional, tendo maior risco de ruptura e degeneração maligna. Até 1998, foram descritos 38 casos na literatura, com 16 pacientes indicados para transplantes e 9 transplantes realizados de fato. No Brasil, de acordo com os dados, não existe ainda nenhum caso no qual o transplante tenha sido indicado.
Objetivo: Relatar uma caso raro, no qual a única forma de tratamento é o Transplante de Fígado, devido a irressecabilidade das lesões múltiplas e pelo potencial de degeneração maligna das mesmas.
Delineamento: O estudo trata de um relato de caso.
Paciente: JMS, 56 anos, masculino, casado, natural do Rio de Janeiro, motorista de ônibus. Apresentou como queixa principal dor abdominal em andar superior do abdome em junho de 2001. Na época, foi realizado exames de imagem, biópsia hepática e dosagem de alfa fetoproteína (normal), quando se fechou o diagnóstico de carcinoma hepatocelular. Durante acompanhamento ambulatorial por 8 meses, o mesmo não apresentou perda de peso, mantendo bom estado geral. Diante desse quadro, foi solicitada uma revisão de lâmina ao Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Geral de Bonsucesso, novos exames de imagem e marcadores tumorais.
Métodos: Os dados foram coletados a partir de consultas mensais, através do exame clínico do paciente, exames de imagem como ultra-sonografia (USG), tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RNM) do abdome e dosagens séricas periódicas da alfa fetoproteína.
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Resultados: Durante os 8 meses de acompanhamento ambulatorial, não houve alteração do exame físico, com o paciente se mantendo sempre assintomático. A alfa fetoproteína se manteve dentro dos limites normais. A USG e TC de abdome não evidenciaram alteração, em relação ao tamanho e número das lesões no fígado após 8 meses de seguimento. A revisão de lâmina concluiu, de acordo com a evolução clínica e evidências histopatológicas, que se tratava de adenomas múltiplos no fígado, sendo que existiam áreas de atipias, o que poderia sugerir focos esparsos de degeneração maligna na lâmina estudada.
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Conclusão: De acordo com o diagnóstico estabelecido de adenomas múltiplos (Adenomatose Hepática) e após a revisão da literatura, a Equipe de Transplante Hepático do Hospital Geral de Bonsucesso indicou o Transplante Hepático como sendo a única opção de tratamento para o caso, visto que as lesões são irressecáveis e pelo risco maior de ruptura e degeneração maligna.