Suporte Nutricional no HGB

INQUÉRITO BRASILEIRO DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL HOSPITALAR (IBRANUTRI)

Waitzberg, DL, Caiaffa WT, Correia MI.
Departamento de Gastroenterologia, Universidade de São Paulo.

Durante os últimos 20 anos, vários estudos têm demonstrado, em todo o mundo, as conse-qüências da desnutrição para os pacientes hospitalizados. Desta forma a Sociedade Brasileira de Nutrição Pareneteral e Enteral (SBNPE), preocupada em investigar o índice de desnutrição hospitalar no Brasil, realizou uma pesquisa multicêntrica em hospitais da rede pública do País, atingindo 12 Estados mais o Distrito Federal, envolvendo 4000 pacientes internados.

Através dos resultados do inquérito a Sociedade tem procurado alertar e aumentar a consciên-cia dos profissionais de saúde, governo e pacientes de nosso País em relação a este assunto, que pode ser considerado um problema bastante sério.

Abaixo seguem os resultados encontrados pelo IBRANUTRI:

1. Prevalência da desnutrição:

O IBRANUTRI revelou que quase metade (48,1%) dos pacientes internados na rede pública de nosso País apresentam algum grau de desnutrição. Entre estes pacientes desnutridos, 12,6% eram pacientes desnutridos graves e 35,5% eram desnutridos moderados, como mostra o gráfico 1.

O IBRANUTRI também identificou que a desnutrição hospitalar apresenta níveis diferentes, de acordo com a região estudada, bem como o estado em questão, aumentando significativamente nas regiões Norte/Nordeste, conforme demonstrado nos gráficos 2 e 3.

O gráfico 2 demonstra uma prevalência de desnutrição hospitalar bastante alta na região Nor-te/Nordeste, sendo 43,8% a percentagem de pacientes desnutridos em grau moderado e de 20,1% a de desnutridos graves, perfazendo um total de 63,9% de pacientes que apresentam algum grau de desnutrição.

O Gráfico 3 revela a desnutrição por Estado. Podemos observar menores índices de desnutri-ção hospitalar no Distrito Federal com 62,5% de pacientes eutróficos e Rio de Janeiro com 60,9%. Entre os números alarmantes, podemos destacar os Estados do Pará, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte com os maiores índices de desnutrição.

 

2. Internação, estado nutricional e tratamento:

Os dados colhidos sobre o tempo de permanência hospitalar identificam um tempo médio de internação de 6 dias para os pacientes eutróficos, enquanto os pacientes desnutridos ficaram em média 13 dias internados, sendo esta uma diferença significativa. A medida que aumenta o tempo de internação de um paciente, aumentam também os riscos de desnutrição, tendo este fato sido bem documentado pelo IBRANUTRI, como mostra o gráfico 4.

A explicação para este achado se deve a um conjunto de condições encontradas no ambi-ente hospitalar, podendo ter causas relacionadas ao próprio paciente, como por exemplo o tipo e extensão da doença de base, ocasionando maiores perdas e catabolismo. A "má nu-trição" iatrogênica, que diz respeito à situações vividas pelo paciente no hospital, em que a ingesta alimentar ou a reposição nutricional são inadequadas, contribui também com um peso considerável para que a desnutrição seja progressiva. Entre o conjunto de condições encontradas dentro do hospital que contribuem para a piora do estado nutricional, desta-cam-se:

· Alta rotatividade dos funcionários da equipe de saúde
· Peso e altura não aferidos, desnutrição não identificada
· Não observação da ingesta alimentar por parte dos pacientes
· Intervenção cirúrgica em pacientes desnutridos sem reposição nutricional
· Uso prolongado de soros por via venosa ao lado de dieta Zero
· Ausência de terapia nutricional em estados hipermetabólicos
· Retardo no início da terapia nutricional


Quanto aos itens listados, o estudo revelou uma reduzida consciência das equipes de saúde quanto à importância do estado nutricional, o que se reflete na baixa freqüência de interven-ções nutricionais realizadas.
O gráfico 5 mostra que procedimentos simples e objetivos, que ajudariam na identificação do estado nutricional, não eram realizados. Anotações referentes ao estado nutricional dos pacien-tes eram encontradas apenas em cerca de 20 % dos prontuários avaliados. Pudemos observar que apenas 14,6% dos pacientes apresentavam seu peso anotado à admissão, embora em 75 % dos casos, os pacientes encontravam-se a menos de 50 metros de uma balança.

Desta forma, formulários de avaliação subjetiva global, sendo preenchidos pelas equipes de saúde na admissão do paciente, poderiam ser uma importante ferramenta de identificação pre-coce dos pacientes em risco nutricional.

3. CONCLUSÃO:

A desnutrição hospitalar é um grave problema no Brasil.
Ela se agrava durante a internação do paciente.
As anotações nos prontuários médicos são insuficientes e incompletas, faltando dados im-portantes para o diagnóstico do estado nutricional.


Bibliografia:

Hospital malnutrition: The Brazilian national survey (IBRANUTRI): a study of 40000 patients.
Nutrition 2001 Jul-Ago; 17 (7-8): 573-80

 

 
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