HGBnet - UTI Infantil
Tamponamento
Cardíaco no Recém-Nascido
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Daniela Peyneau
- Médica residente (R3) da UTI Infantil do Hospital Geral de Bonsucesso.
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Caso 1
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Caso 2
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TAMPONAMENTO CARDÍACO NO RECÉM NASCIDO O derrame pericárdico neonatal pode ser causado por ventilação mecânica com pressões elevadas (pneumopericárdio), sepse ou trauma. A compressão cardíaca por derrame no período neonatal é rara. Quando esta compressão gera uma pressão suficiente para impedir o enchimento diastólico, sobrevem o tamponamento cardíaco. Um período de taquicardia e vasoconstricção periférica precede esta condição e é seguido por completo colapso circulatório; quando a compressão não é aliviada, a evolução para o óbito é rápida. Esta condição é uma emergência médica. No recém-nascido, uma pequena quantidade de líquido é suficiente para causar tamponamento, em especial nos prematuros. Há relato na literatura de tamponamento com um derrame de 8ml em paciente com peso de 650g, com desfecho letal. O diagnóstico é sugerido pela presença de taquicardia, queda da pressão arterial, redução da pressão de pulso, hipofonese de bulhas cardíacas e elevação da pressão venosa central (> 15 mmHg). A detecção de pulso paradoxal é difícil no período neonatal. O diagnóstico imediato através da ecocardiografia se impõe, além do exame guiar o tratamento, que é a realização de pericardiocentese. O sucesso deste procedimento é elevado, com baixo índice de complicações (pneumotórax, lesão de câmara cardíaca). Em situações extremas pode ser necessário realizar a punção pericárdica com agulha após a constatação radiológica de ar no espaço pericárdico. Em caso de suspeita clínica, se não for possível a realização de um exame complementar, a punção pericárdica não deve ser postergada. Em raras ocasiões, quando o derrame é espesso, faz-se necessária a drenagem cirúrgica. O tamponamento cardíaco deve ser considerado em qualquer recém-nascido com cateter venoso central que apresente deterioração clínica rápida. No período neonatal há descrições na literatura desta condição clínica associada a cateteres umbilicais, percutâneos e de qualquer material (polivinil, silicone, silastic ou outro). A incidência relatada de perfurações com cateteres percutâneos em prematuros de muito baixo peso tem sido em torno de 3% e cerca de 1 % de casos fatais, a despeito do tamanho do cateter, material e do rigor técnico do procedimento. Assim sendo, em vista dos riscos associados a procedimentos invasivos, estes devem ser bem indicados para que os benefícios sejam superiores e não obstante, a posição do cateter deve ser confirmada radiologicamente. Alguns autores sugerem a realização de radiografia em incidência antero-posterior e também em perfil com este objetivo. Agradecimentos à Cardiologia Pediátrica do Hospital Geral de Bonsucesso.
Tabela I - CONDUTA FRENTE A SUSPEITA DE TAMPONAMENTO CARDIACO NO RECEM-NASCIDO
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